Reformatório Krenak

“Reformatório Krenak” – Minas Gerais

Centro de repressão aos índios durante o regime militar no Brasil.

Funcionava como um experimento estatal para “manter a ordem nas terras indígenas brasileiras na época da ditadura, ou conforme descrição de um boletim informativo da Funai de 1972, “experiência de reeducação de índios aculturados qie transgridem os princípios norteados da conduta tribal, e cujos próprios chefes, quando não conseguem resguardar a ordem na tribo, socorrem-se da Funai visando restaurar a hierarquia nas suas comunidades.”

O nome Krenak vem da tribo de mesmo nome que teve homologada em 2001 a propriedade dessas terras, da região do reformatório.

Começou a funcionar em 1969, numa área rural do município de Resplendor, no estado de Minas Gerais, sob administração de policiais militares que através de um convênio, receberam da Funai, a gestão das terras indígenas em Minas Gerais.

Havia uma base da Força Aérea Brasileira na Ilha de Bananal (TO) que recebia aviões que transportavam presos entre a ilha e o krenak.

Eram pelo menos 120 presos, entre eles também mulheres, de 25 etnias, sob acusação dos crimes de homicídio, roubo, consumo de álcool ou drogas, brigas, vadiagem, prostituição e pederastia. Também era proibido atravessar o rio sem ordem do chefe local da Funai.

Nos anos de 1969 e 1970, foram criadas as GRINs, Guardas rurais indígenas,  que eram milícias armadas, integradas só por índios, para o policiamento nas áreas tribais da região de Minas Gerais, próximas à Belo Horizonte. Teria havido uma tentativa da guarda de instituir uma casa de prostituição de índias.

Os índios confinados recebiam uma parca alimentação e eram levados para trabalhos rurais. Não recebiam roupas extras, então depois de se lavarem vestiam o mesmo que usaram durante todo o dia.

Relatórios descrevem um índio Kaigang como trabalhador, educado e obediente, e um Karajá como lerdo, preguiçoso e pouco vivaz.

Houve um caso de desaparecimento em 1969, de Dedé Baeña, e um de estupro de uma índia Maxacali em 1971.

O Pataxó, Diógenes Ferreira dos Santos, nos meados de 1960, ficou preso com o pai durante 7 dias na delegacia de pau-Brasil, até vir a ordem de levá-los para o Krenak.

Conta o índio Fulni-a, que esforçou-se nos 14 meses de prisão no Krenak, para entrar na GRIN.

Em 1972, o reformatório mudou das terras dos Krenak para a Fazenda Guarani, em Carmésia, onde hoje vive um pequeno grupo Pataxó.

Juruna João Geraldo Itatuitim Ruas, foi um dos primeiros servidores públicos de origem indígena, mas foi logo demitido. Costumava andar com um gravador porque branco não tem palavra, dizia.

Diógenes Ferreira dos Santos, índio Pataxó, era ainda criança quando ficou preso durante 7 dias na delegacia de Pau-Brasil junto com seu pai, até vir a ordem de levá-los para o Krenak.

Em 1971, um índio Urubu-Kaipor levado ao Krenak, tentou suicídio. Tentou fugir também, mas foi recapturado.

Soube-se de outros dois Urubu-Kaipor que foram açoitados porque não falavam português.

Conta-se também de um caso de um caboclo que foi arrastado por um cavalo.

Cleonice Maria da Silva, índia Pankaru, do sertão pernambucano, diz que o Krenak nada mais era do que cadeia para índios.

(Texto extraido do artigo de André campos p/ a revista Carta Capital)

Esse post foi publicado em Informative. Bookmark o link permanente.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s